19.2.09

Review: Operação Valquíria

Ninguém conseguiu ser um Império do Mal como os nazistas foram. Os americanos durante a Guerra são sempre mostrados como um bando de Yankies vindos do Alabama (ou wherever) mascando chiclete montados naqueles jipinhos com uma estrela branca pintada no capô. Os nazistas não, os caras eram caras imponentes de sobretudo, quepe foda, aquela calça com culotes e botas de couro. Tipo um exército de Dolph Lundgrens.

Quem me conhece sabe que eu tenho uma atração especial por Tom Cruise. Por mais maluco que ele seja, por pior que possa ser um filme que ele faz, ele me desperta uma atração quase homossexual (eita!).

Pra terminar, eu sou fascinado por tapa-olhos! Todo mundo que tem tapa-olho é foda! Big Boss, Snake Pliskin, Aristóteles! Sem dúvida, quando ficar velho, vou sair por aí de tapa-olho!

Tom Cruise interpretando um coronel nazista de tapa-olho!? Tem como não ver um filme desses!?

Antes de começar, algumas boas surpresas nos trailers: Frost-Nixon, Slumdog Millionaire e Milk. Teve também o trailer de Che, mas um filme falado em espanhol sobre um terrorista e assassino argentino não é o tipo de coisa que me incentiva a ir no cinema (por mais bem feito que possa ser e por mais que eu goste do Santoro).

Depois disso tudo, Operação Valquíria começa com uma narração e alemão que vai, gradativamente, virando inglês. Foi um recurso muito interessante e tornou o fato de o filme ser falado em inglês algo quase natural. O filme não é daqueles que demoram para começar (ponto positivo) e a insatisfação do coronel Claus von Stauffenberg (Tom Cruise) com o regime de Adolf Hitler (David Bamber) e sua capacidade de liderança são bem mostrados logo de cara!

Algumas coisas podem parecer um pouco confusas para quem não saiba muito da história por trás do atentado de 20 de julho de 1944. Sobre este assunto, eu recomendo o NerdCast #148: "Operação Valquíria"
(http://jovemnerd.ig.com.br/nerdcast/nerdcast-148-operacao-valquiria/)

A trilha sonora é muito boa mas quando a Dança das Valquírias (aquela música do Apocalypse Now) de Wagner é introduzida durante o ataque aéreo é bem babaca. Parece coisa do tipo “se a vida tivesse trilha sonora”... É interessante notar o “toque” de quando Hitler aparece em cena. Não chega a ser um “tema” como a Marcha Imperial do Darth Vader, mas é uma batida que consegue transmitir bem a sensação de “esse cara é um mega-imperador-evil” e ajuda a compensar o erro de casting que foi a escolha de Bamber para o papel.


Outra coisa muito marcante é como Stauffenberg e seu auxiliar, Werner von Haeften (Jamie Parker) são duas figuras suspeitas... Parece coisa de Feira da Fruta! Um reservista mutilado na guerra, que vira e mexe sai no meio das reuniões com Hitler para trocar de camisa ou fazer um telefonema, que dá um projeto de lei que diz “seee por um acaaaso o nosso comandante maior vier a falecer, o exército da reserva deve comandar a Alemanha” para o führer assinar e que anda pra lá e pra cá com um Robin e uma maletinha safada é muito suspeito! Como ninguém nunca tinha se tocado antes que esses caras eram espiões a mando do Bátema!? Haha! Aiai...nazismo...

Bryan Singer (de Superman Returns e X-Men 1 e 2) manda bem na direção e faz um filme fácil e divertido de ser assistido e que em momento algum perde o ritmo. Tem sempre alguma coisa acontecendo e nazistas de uniforme foda pra lá e pra cá! A primeira hora de filme, principalmente, tem momentos de tensão muito bons. Maaaas, não é um filme que tenha mexido comigo em instante ao ponto de me prender na cadeira nem nada assim e, pensando bem, todos os filmes do Singer são meio assim...

A pior falha de casting foi, sem dúvida, David Bamber como Hitler. Fisicamente, o ator se parece muito com o ditador nazista, mas sua voz em nada lembra aquele vozeirão maluco que Hitler tinha na verdade e ele parece uma figura muito frágil sendo manipulada por seus generais. Parece mais uma criança brincando com seu cachorrinho do que o último-chefão que o fantástico Bruno Ganz faz no maravilhoso A Queda-As últimas horas de Hitler.

O grupo de rebeldes que tenta matar Hitler parece bonzinho demais. São mostrados como avatares da paz e da justiça numa Europa ensandecida, principalmente Stauffenberg e Ludwig Beck (Terence Stamp, o eterno General Zod de Superman II) quando, na real, eram um grupo de ex-nobres alemães que viam Hitler como um viadinho de merda e queriam tomar o poder não para salvar judeus, mas para evitar perder mais do que já haviam perdido com a guerra.

No geral, o filme passa bem rápido e são 121 minutos e R$5,50 bem empregados.


Nota final: 6,5 de 10

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